A Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (EFMA) é1:
- 1ª Estação Biológica do Município do Rio de Janeiro
- 1ª Estação Biológica do Município do Rio de Janeiro
- 1ª Estação Biológica do planeta (dentre 1750) com foco primário em estudar relações em biodiversidade e saúde
- 4ª Estação Biológica do planeta em área de elevada intervenção antrópica
Referência: Tydecks et al. 2016. Biological Field Stations: A Global Infrastructure for Research, Education, and Public Engagement. BioScience, 66(2):164–171, https://doi.org/10.1093/biosci/biv174
A Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (EFMA) é um laboratório natural para pesquisas em biodiversidade e saúde e espaço para experimentação de tecnologias sociais para a resolução de problemas socioambientais de comunidades que vivem adjacentes a remanescentes de vegetação, sem acesso a serviços básicos, como saneamento e fornecimento de água potável.
A EFMA foi criada em 2016 (Portaria Fiocruz 522/2016-PR), com a missão de “apoiar, estimular e acolher, no seu perímetro e área de influência, a pesquisa, a inovação, a educação e a disseminação e divulgação de conhecimentos sobre a complexidade socioambiental e a relação entre biodiversidade e saúde, objetivos esses alinhados à missão da Fiocruz”. Além disso, tem como compromisso contribuir na conservação e restauração ecológica do remanescente de Mata Atlântica do território, em consonância com a missão do Parque Estadual da Pedra Branca, com o qual está parcialmente sobreposta.
A EFMA é gerida pelo Programa de Desenvolvimento do CFMA e compreende 430 hectares (86%) da área total do campus. A EFMA abrange as áreas definidas no Plano Diretor do CFMA (2009) como “zona intangível”, “zona primitiva” e “zona de recuperação”. Esse zoneamento reflete um gradiente de intervenção antrópica, sobre o qual foram instaladas quatro parcelas permanentes para pesquisas de longa duração em ecologia, biodiversidade e na interface entre biodiversidade e saúde.
Parcelas Permanentes de Biodiversidade
Foram instaladas quatro parcelas de 1 hectare cada, distribuídas ao longo de um gradiente de intervenção humana, que vai do peridomicílio (P1) ao interior da floresta (P4), se estendendo por 4 km linearmente.
Em cada uma dessas parcelas vem sendo realizado o levantamento fitossociológico e estudo florístico das áreas. Todos os indivíduos arbóreos com DAP (diâmetro à altura do peito) maior ou igual a 5 cm tem seu DAP medido e são georreferenciados, marcados com placa de alumínio e identificados em nível de espécie. Visando entender a dinâmica da vegetação, a cada 5 anos todas as parcelas são revisitadas e todas as árvores com DAP igual ou maior a 5 cm são (re)medidas.
Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (verde), com a distribuição das quatro parcelas permanentes para pesquisas em Biodiversidade e Saúde
Ver legenda do cap 2 do livro
Conservação da Biodiversidade genética – Marcação de Matrizes e coleta de sementes
Um dos objetivos do PDCFMA é fomentar projetos que visam a marcação de matrizes florestais e coleta de sementes florestais com qualidade genética, para a produção de mudas a serem utilizadas nas ações de restauração ecológica do na EFMA. A sustentabilidade dos projetos de restauração ecológica está diretamente relacionada à origem das sementes e à produção de mudas de boa qualidade e alta variabilidade genética. A coleta de sementes para a produção de mudas é realizada nas áreas localizadas no Campus Fiocruz da Mata Atlântica, no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, RJ.
A escolha das espécies arbóreas é referenciada pelos seguintes critérios: ameaçadas de extinção; atrativas para a fauna; potencial medicinal; plantas alimentícias não convencionais (PANC) e melíferas.
O projeto de marcação de matrizes começou em 2011 e tem 552 matrizes georreferenciadas de 173 espécies.
Distribuição das matrizes florestais marcadas na EFMA e grau de ameaça
Conservação de abelhas nativas sem ferrão
Considerando que (i) as abelhas prestam importante serviço ecossistêmico como polinizadoras, além de fornecerem mel e outros produtos apícolas; e que (ii) o uso intensivo de agrotóxicos, desmatamento e mudanças climáticas têm impactado diretamente na conservação das abelhas, diminuindo suas comunidades e afetando a produção de alimentos; foi instalado um meliponário na área do Horto-Escola, que compreende a Estação Biológica, para conhecer, conservar e difundir informações sobre as abelhas nativas sem ferrão. Esse projeto visa atender escolas e a comunidade em geral.
Instalações e serviços de apoio à pesquisa disponíveis na EFMA:
- Salas de aula equipadas para videoconferência e um auditório
- Sala para pesquisadores externos e visitantes, com estações de trabalho
- Estação meteorológica automatizada (ACT Fiocruz-INMET) – https://mapas.inmet.gov.br/
- Apoio logístico para trabalhos de campo
- Assessoria em espacialização de dados, sistemas de informação geográfica e cartografia
- Área para preparação de material botânico
- Laboratório de sementes
- Estufa para preparação exsicata
- Banco de sementes
- Dormitório para pernoite durante trabalhos de campo